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Cálculo judicial

O número certo não basta: ele precisa se explicar

Em liquidação, o número é só metade do trabalho. A outra metade é conseguir explicá-lo quando alguém com autoridade resolve discordar.

Há uma diferença grande entre um resultado correto e um resultado defensável. O primeiro fecha a conta. O segundo sobrevive ao contraditório: à impugnação da parte contrária, à dúvida do juiz, à conferência do perito. Na prática, só o segundo conta.

Quem já precisou reconstruir um cálculo meses depois conhece o tamanho do problema. A planilha estava certa, mas a memória de como cada índice, cada termo inicial e cada critério foram aplicados mora na cabeça de quem fez. E memória de cabeça não se anexa aos autos.

O valor responde "quanto". A memória de cálculo responde "por quê". Sem a segunda, a primeira é só uma afirmação.

Por isso a memória de cálculo não pode ser um anexo produzido depois, às pressas, para responder a uma intimação. Ela precisa nascer junto com o número: cada centavo carregando a própria origem, a base legal documentada linha a linha, o caminho pronto para qualquer um refazer e chegar ao mesmo lugar. Quando a liquidação é assim, defender o valor deixa de ser um susto e vira leitura.

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